Eficácia e impacto da imunização materna contra o VSR e do nirsevimabe em casos de VSR com atendimento médico em crianças nos EUA

AUTORES: Heidi L. Moline, MD, MPH; Ayzsa Tannis, MPH; Leah Goldstein et al

FONTE:  JAMA Pediatr.doi:10.1001/jamapediatrics.2025.5778  

OBJETIVOS: Estimar a eficácia do nirsevimabe e da vacina materna contra o VSR na prevenção de infecções respiratórias agudas (IRA) associadas ao VSR que necessitaram de atendimento médico e estimar o impacto desses produtos nas hospitalizações associadas ao VSR durante o período de 2024 a 2025.

MÉTODOS: Foi realizada vigilância populacional de IRA que necessitou de atendimento médico em crianças menores de 2 anos com testes moleculares sistemáticos para VSR. As crianças foram recrutadas em 7 centros médicos pediátricos dos EUA, de 1º de outubro de 2024 a 30 de abril de 2025. Um estudo caso-controle com teste negativo foi utilizado para estimar a eficácia da vacina materna contra o VSR e do nirsevimabe. Para estimar o impacto populacional dos produtos de prevenção do VSR, as reduções relativas nas taxas foram estimadas comparando-se as taxas observadas de hospitalização associada ao VSR durante 2024-2025 com as taxas observadas em 2017-2020

RESULTADOS:  No total, 5029 crianças menores de 2 anos com IRA com atendimento médico foram incluídas no estudo entre outubro de 2024 e abril de 2025. A mediana da idade foi de 10 meses (5-16 meses), e 2176 crianças (43,3%) eram do sexo feminino. Entre recém-nascidos e lactentes com menos de 6 meses de idade, a eficácia da vacina materna contra o VSR foi de 64% (IC 95%, 37%-79%) contra qualquer IRA associada ao VSR que necessitasse de atendimento médico e de 70% (IC 95%, 37%-86%) contra hospitalização associada ao VSR. A eficácia do nirsevimabe foi de 81% (IC 95%, 71%-87%) contra hospitalização associada ao VSR, e o nirsevimabe manteve-se 77% (IC 95%, 42%-92%) eficaz contra hospitalização associada ao VSR de 130 a 210 dias após a administração. As hospitalizações associadas ao VSR foram reduzidas em 41% a 51% entre recém-nascidos e lactentes de 0 a 11 meses de idade, com a maior redução, de 56% a 63%, naqueles de 0 a 2 meses.

CONCLUSÕES: De acordo com os resultados deste estudo de vigilância populacional, durante o período de 2024-2025, estimou-se que tanto a vacina materna contra o VSR quanto o nirsevimabe seriam eficazes na proteção de bebês contra hospitalizações associadas ao VSR em sua primeira temporada de infecção pelo VSR, e as taxas de hospitalização associadas ao VSR em recém-nascidos e bebês de 0 a 11 meses foram reduzidas em até metade em comparação com as temporadas anteriores à introdução desses produtos.

COMENTÁRIOS: Estamos presenciando um momento histórico no que diz respeito a infecção pelo VRS. Vacinas e novos anticorpos monoclonais prometem mudar a história da Bronquiolite em menores de 2 anos. Este estudo multicentro com mais de 5.000 crianças mostra resultados muto robustos neste sentido, indicando que o Nirsevimabe foi ligeiramente superior que a vacina aplicada na mãe grávida. Os dados apresentados aqui e em outros estudos indicam que, em um futuro próximo o palivizumabe será aposentado. WRF

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