AUTORES: Péter Csonka, MD, PhD; Terhi Ruuska-Loewald, MD, PhD; Inka Hämynen, MD; Minna Honkila, MD; Iida Ojaniemi, MD, PhD; Eeva Mykkänen, MD; Balázs Kelemen, MD; Minna Juntunen, MD; Salla Kuusela, MD; Marjo Renko, MD, PhD; Lauri Lehtimäki, MD, PhD; Tytti Pokka, MSc; Sauli Palmu, MD, PhD
FONTE: JAMA Pediatr. doi:10.1001/jamapediatrics.2025.6479 Publicado em23 de fevereiro 2026
OBJETIVO: Determinar se um espaçador com maior deposição pulmonar melhora os resultados clínicos do tratamento com salbutamol em crianças pequenas com sibilância aguda, em comparação com um espaçador com menor deposição
MÉTODOS: Este ensaio clínico randomizado ocorreu em 4 departamentos de emergência pediátrica na Finlândia. Os pacientes incluídos eram crianças de 6 a 48 meses de idade com sibilos moderados ou graves, classificados com escore de dificuldade respiratória de 6 ou mais. Salbutamol foi administrado na dose de 6 jatos com intervalos de 20 minutos (dose de 0,6 mg por ciclo de tratamento), até 3-4 ciclos, utilizando de forma randomizada dois espaçadores disponíveis comercialmente: espaçador-1 (Phillips) de alta deposição pulmonar ou espaçador-2 (BabyHaler) de baixa deposição pulmonar, cada um usado com sua respectiva máscara. Os desfechos primários foram o escore de dificuldade respiratória pós-tratamento e a alteração em relação ao valor basal. Os desfechos secundários incluíram a taxa de hospitalização, a proporção de crianças que necessitaram de uma quarta dose de salbutamol e a alteração na frequência respiratória e na saturação de oxigênio.
RESULTADOS: Um total de 80 crianças com idade média de 23,1 meses foram randomizadas e analisadas, 36% do sexo feminino e 64% do sexo masculino. As crianças tratadas com salbutamol apresentaram escores médios pós-tratamento
significativamente menores no grupo do espaçador de alta deposição pulmonar (2,7 [2,1]) do que no grupo de baixa deposição pulmonar (6,8 [3,6]), com uma diferença média de −4,1 (IC 95%, −5,4 a −2,7; P < 0,001). A redução média
no escore foi maior com o espaçador de alta performasse do que com o espaçador de baixa performasse (diferença média, −5,4; IC 95%, −6,9a −3,9; P < 0,001). A proporção de crianças que necessitaram de hospitalização foi menor nas crianças tratadas com o espaçador-1 (20%) do que com o espaçador-2 (50%) (diferença de 30%, P = 0,005). O risco de necessitar de uma quarta dose de salbutamol foi menor com o espaçador-1 (RR de 0,72; IC 95%, 0,51-0,97; P = 0,03) em comparação com o espaçador-2. Após o tratamento, a frequência respiratória foi menor (42 vs 47 respirações por minuto; P = 0,04) e a saturação de oxigênio foi maior (97% vs 94%; diferença média,3%; IC de 95% da diferença, 1,4-3,7; P < 0,001) com o espaçador-1
CONCLUSÃO: Neste estudo, crianças pequenas com sibilância aguda apresentaram melhora significativamente maior quando o salbutamol foi administrado por meio de espaçador de alta performasse, em comparação com espaçador com baixa taxa de deposição pulmonar. Isso indica que a escolha do dispositivo na emergência é importante e que as futuras diretrizes devem fornecer recomendações específicas para cada dispositivo utilizado na terapia inalatória pediátrica.
COMENTÁRIO: Espaçadores valvulados disponíveis comercialmente, diferem na deposição pulmonar do medicamento. Este estudo indica que espaçadores com alta taxa de deposição pulmonar tem relevância clínica importante quando comparados com outros espaçadores. A nível mundial, são poucos os espaçadores que têm sua alta performasse comprovada por estudos de deposição pulmonar. Entre eles podemos sitar o Aerochamber, o Vortex e o espaçador Phillips utilizado neste estudo. No Brasil o único espaçador com estudo de deposição pulmonar disponível no mercado é o Inal Air, cuja deposição pulmonar foi equivalente ao espaçador canadense Aerochamber. Conclui-se, portanto, ser o Inal Air um espaçador de alta performasse equivalente aos melhores espaçadores internacionais. WRF

