Pneumonia pneumocócica em crianças hospitalizadas de 2017 a 2023 

AUTORES: Eric E. Engstrom, Sheldon L. Kaplan, William J. Barson, Philana Ling Lin, Steven Dahl, John S. Bradley, Pia S. Pannaraj, Tina Q. Tan, Jennifer Dien Bard, Kacy Ramirez, Lindsay R. Grant, Adriano Arguedas, Maria J. Tort, Ashley Miller, Alejandro Cané e Kristina G. Hulten

FONTE: Pediatrics. 2026;157(5):e2025073196  

https://www.dropbox.com/scl/fi/96aqb8v138hese2ql65y6/PNM-por-pneumococo-hospitaliza-o.pdf?rlkey=eb5lr9s947ahrkrfnfhaes5rh&dl=0

OBJETIVO: Avaliar as tendências de incidência, a apresentação clínica, a distribuição de sorotipos e a suscetibilidade antimicrobiana de isolados de Streptococcus pneumoniae causadores de pneumonia em crianças hospitalizadas, comparando os períodos antes e durante a pandemia de COVID-19.

MÉTODOS: Trata-se de um estudo multicêntrico retrospectivo realizado em 8 hospitais pediátricos de referência nos Estados Unidos. Foram incluídos pacientes com idade igual ou inferior a 18 anos admitidos com pneumonia confirmada por cultura de sítios normalmente estéreis (sangue, líquido pleural, abscesso ou tecido pulmonar) e com evidência radiográfica de consolidação, derrame ou necrose. A sorotipagem dos isolados foi realizada em laboratório centralizado. A suscetibilidade à penicilina e ceftriaxona foi determinada pela Concentração Inibitória Mínima (MIC). As taxas de incidência foram calculadas com base em 10.000 admissões hospitalares anuais para mitigar vieses de utilização do sistema de saúde durante a pandemia.

RESULTADOS: 

Foram identificados 190 pacientes no período do estudo. A taxa de incidência anual apresentou uma queda significativa em 2020 (0,9 por 10.000 admissões), seguida por um surto em 2022 e 2023, atingindo um pico de 3,2 por 10.000 admissões. O sorotipo 3 foi o mais comum (32%), sendo significativamente associado a maiores taxas de empiema e pneumonia necrotizante (83% vs. 30% para outros sorotipos; P < 0,001). Os sorotipos presentes na vacina PCV13 (especialmente 3, 19A e 19F) representaram 53% dos isolados. Novos sorotipos cobertos pelas vacinas PCV15 e PCV20 representaram 14% e 22% dos casos, respectivamente. A suscetibilidade à penicilina foi de 94%, e todos os isolados com MIC > 2 μg/mL (resistentes) pertenciam ao sorotipo 19A. Entre as coinfecções virais detectadas em 90 pacientes, apenas a influenza foi associada a um aumento significativo de complicações pulmonares (P = 0,002).

CONCLUSÃO: 

Apesar do uso disseminado de vacinas conjugadas, o S. pneumoniae permanece uma causa importante de pneumonia grave em crianças. O aumento da incidência pós-2020 foi impulsionado predominantemente pelo sorotipo 3, que demonstra alta virulência e capacidade de escape vacinal, embora mantenha boa sensibilidade aos β-lactâmicos. A implementação das novas vacinas PCV15 e PCV20 pode reduzir ainda mais a carga da doença, dado que cerca de 25% dos isolados identificados são exclusivos destas formulações. Os achados reforçam a necessidade de vigilância contínua dos sorotipos e sugerem que a febre persistente em pneumonias complicadas nem sempre indica falha terapêutica antimicrobiana, mas sim a gravidade da lesão tecidual. 

COMENTÁRIOS: Pneumococo é a principal causa de pneumonia comunitária em pediatria, a maioria sensível a penicilina/amoxicilina. Este estudo reforça o fato de o pneumococo tipo 3 ser o mais agressivo e com maior índice de resistência bacteriana Importante notar que a vacina Pneumo 13 protege contra apenas metade de sorotipos mais prevalentes sendo muito importante a vacinação com a Pneumo 20. WRF

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