Vape com nicotina sintética: Novos produtos preocupam especialistas em saúde infantil

Fonte: Pediatrics. DOI: 10.1542/peds.2024-070484.

O uso de cigarros eletrônicos entre adolescentes tem se tornado uma preocupação crescente em diversos países. Agora, uma nova tendência acende o alerta entre especialistas: os dispositivos de vape com nicotina sintética, conhecidos como “nicotina livre de tabaco”. Esses produtos, que vêm sendo comercializados sob marcas como Spree Bar e Metatine, contêm compostos de nicotina produzidos em laboratório — e não derivados diretamente do tabaco, como ocorre com os cigarros eletrônicos tradicionais.

De acordo com um estudo publicado pela American Academy of Pediatrics, esses novos tipos de vape estão se espalhando rapidamente entre adolescentes e jovens adultos. A pesquisa ouviu 1.760 participantes entre 14 e 25 anos em 2024, e os resultados mostraram que 20,1% tinham conhecimento sobre esses produtos e 8,4% já haviam experimentado pelo menos uma vez.

Pesquisadores alertam que a nicotina sintética pode ser viciante e potencialmente tóxica, e que a falta de regulamentação facilita o acesso de menores. Esse cenário é especialmente preocupante porque muitos jovens acreditam, de forma equivocada, que esses produtos são menos prejudiciais à saúde — o que não é verdade.


O que é a nicotina sintética e por que preocupa

A nicotina sintética é uma versão fabricada em laboratório que imita os efeitos da nicotina natural presente no tabaco. No organismo, ela atua da mesma forma: estimula o sistema nervoso central, libera dopamina e cria um ciclo de dependência química.

O uso contínuo pode causar alterações na atenção, na memória e no controle emocional, especialmente em adolescentes, cujo cérebro ainda está em desenvolvimento. Além disso, esses produtos são frequentemente aromatizados com sabores atrativos — como frutas e doces — o que aumenta o apelo entre os mais jovens.

Outro fator alarmante é a ausência de regulamentação clara. Como a substância não é extraída diretamente do tabaco, alguns fabricantes utilizam brechas legais para comercializar os produtos sem controle sanitário. No Brasil, a venda de cigarros eletrônicos é proibida pela Anvisa, mas os dispositivos seguem sendo facilmente encontrados, especialmente por meio de lojas online e redes sociais.


O que dizem os especialistas

Especialistas defendem ações regulatórias locais e campanhas educativas voltadas para adolescentes e jovens adultos, buscando reduzir o risco de dependência e danos à saúde. A conscientização sobre os riscos é vista como essencial diante da popularização silenciosa desses dispositivos.

Os profissionais da saúde alertam que a desinformação é uma das principais causas do aumento do consumo, já que muitos jovens acreditam que o vape é uma alternativa “segura” ao cigarro convencional. No entanto, mesmo pequenas quantidades de nicotina podem provocar dependência rápida e causar inflamação pulmonar, irritação nas vias respiratórias e aumento do risco de doenças cardiovasculares.


A importância da educação preventiva

A melhor forma de prevenir o uso precoce desses produtos é por meio da informação e do diálogo. Pais, escolas e profissionais de saúde precisam conversar abertamente com adolescentes sobre os riscos reais do uso de vapes, explicando que os dispositivos — sejam com nicotina natural ou sintética — não são inofensivos.

A conscientização é a ferramenta mais eficaz para conter o avanço desse hábito entre jovens. É fundamental que as famílias estejam atentas aos sinais de uso e busquem orientação médica quando necessário.


Conclusão

O avanço dos vapes com nicotina sintética representa um novo desafio para a saúde pública, principalmente entre adolescentes. A dependência química, os riscos respiratórios e os impactos no desenvolvimento cerebral tornam urgente a necessidade de ações educativas e regulatórias.

A PumlmoLab reforça seu compromisso com a saúde respiratória infantil e a conscientização sobre os perigos do uso de cigarros eletrônicos. Continuamos atentos às novas ameaças e comprometidos em fornecer informações seguras, baseadas em evidências, para pais, educadores e profissionais da saúde.

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