Salbutamol + Budesonida quando necessário nas exacerbações de asma leve

Autores: Craig LaForce, Frank Albers, Anna Danilewicz, et al. 

FONTE: N Engl J Med 2025.

OBJETIVO: Avaliar a eficácia e a segurança do uso, conforme a necessidade (resgate), de uma combinação em dose fixa de albuterol (180 μg) e budesonida (160 μg) em comparação com o uso isolado de albuterol (180 μg) na redução do risco de exacerbações graves em pacientes com asma leve exacerbada.

MÉTODOS: O estudo BATURA foi um ensaio clínico, multicêntrico, duplo-cego, com um design inovador, totalmente virtual, realizado nos EUA. Foram incluídos 2.516 participantes (≥12 anos) com asma não controlada, apesar do uso de broncodilatador de curta ação (SABA) isolado ou associado a baixas doses de corticoide inalatório ou antagonista de receptor de leucotrieno. Os indivíduos foram randomizados para utilizar a combinação albuterol-budesonida ou albuterol isolado como terapia de resgate por um período de 12 a 52 semanas. O desfecho primário foi o tempo até a primeira exacerbação grave de asma, definida pela necessidade de corticoides sistêmicos por ≥3 dias, visita à emergência ou hospitalização.

RESULTADOS: Dos 2.421 participantes na população de análise total, a grande maioria (97,2%) era adulta e 74,4% utilizavam apenas salbutamol como resgate. Na população em tratamento, ocorreu uma exacerbação grave em 5,1% do grupo albuterol-budesonida versus 9,1% no grupo albuterol (P<0,001). A combinação reduziu a taxa anual de exacerbações graves em 53% (0,15 vs. 0,32) e a exposição média anual a corticoides sistêmicos em 62,5% (23,2 mg vs. 61,9 mg). O perfil de eventos adversos foi comparável entre os grupos, com baixa incidência de efeitos locais associados ao corticoide inalatório (<2%).

CONCLUSÃO: Em pacientes com asma leve não controlada, o uso da combinação albuterol-budesonida como terapia de resgate reduziu significativamente o risco de exacerbações graves e a carga total de corticoides sistêmicos em comparação ao albuterol isolado. Os achados reforçam a tendência de substituir o uso de SABA isolado por terapias de resgate que incluam um anti-inflamatório, mesmo em pacientes com sintomas pouco frequentes, visando mitigar o risco de eventos fatais ou graves historicamente negligenciados na asma leve.

COMENTÁRIO: Este artigo discute o tratamento das exacerbações agudas em  crianças com asma leve, intermitente, que não precisa de medicamento profilático no dia a dia. Os resultados indicam que salbutamol + budesonida é superior ao uso de salbutamol na crise aguda de asma, tanto que este tratamento está recomendado no GINA 2026. Até onde vai o meu conhecimento, o único produto no mercado brasileiro com a associação salbutamol + corticoide é o Clenil Compositum HFA 100/50, que contêm 100 mcg de salbutamol (como o Aerolin) mas apenas 50 mcg de beclometasona, dose muito abaixo daquela utilizada neste estudo. Portanto a dose de Clenil Compositum na crise deveria ser 4 a 5 jatos, até de 4/4 horas. Por outro lado, cabe ressaltar que se a criança já faz uso de corticoide inalatório profilático não faz sentido usar Clenil Compositum. Basta dobrar a dose do corticoide inalatório em uso e oferecer o velho e bom salbutamol sem adição de corticoide

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