Autores: Adnan Zafar, Umme Roman, Abdul Haseeb e Taslim Akhtar.
FONTE: Pediatric Pulmonology, 2026; 61:e71674
OBJETIVO: Avaliar o desempenho diagnóstico, a viabilidade técnica e as limitações do teste de apneia do sono em domicílio (HSAT) em comparação com a polissonografia (PSG) laboratorial, considerada o padrão-ouro, na população pediátrica.
MÉTODOS: Trata-se de uma revisão sistemática conduzida conforme as diretrizes PRISMA e a metodologia do Manual Cochrane. A pesquisa foi realizada nas bases de dados PubMed, Embase, CINAHL e Cochrane Library, abrangendo estudos publicados de 1980 até 2026. Foram incluídos 9 estudos pediátricos totalizando 742 crianças com sintomas de distúrbios respiratórios do sono, incluindo crianças saudáveis e grupos específicos com Síndrome de Down. A análise avaliou a qualidade metodológica dos estudos, a concordância dos índices de apneia-hipopneia (IAH), as taxas de sucesso técnico e a aceitabilidade do exame pelos pacientes e familiares.
RESULTADOS: O HSAT demonstrou alta viabilidade técnica, com taxas de sucesso na gravação entre 80% e 94%, sendo significativamente mais confortável e menos gerador de ansiedade para as crianças do que o ambiente laboratorial. Foi observada uma correlação de moderada a forte (r = 0,6 a 0,75) entre os índices respiratórios do HSAT e da PSG, indicando que o teste domiciliar é confiável para detectar eventos obstrutivos, especialmente em casos de doença moderada a grave. Em estudos com crianças saudáveis, o IAH médio obtido pelo HSAT (2,5 ± 3) foi quase idêntico ao da PSG (2,7 ± 2,9). No entanto, o HSAT tende a subestimar sistematicamente a gravidade da apneia em alguns casos, pois a ausência de eletroencefalograma (EEG) impossibilita a distinção entre o sono real e a vigília tranquila, resultando em cálculos baseados no tempo total de cama. Além disso, a falta de capnografia nos dispositivos de HSAT limita a detecção de hipoventilação, um componente essencial na avaliação de distúrbios do sono pediátricos.
CONCLUSÃO: O HSAT é uma alternativa custo-efetiva, bem tolerada e confiável à polissonografia laboratorial para o diagnóstico de apneia obstrutiva do sono em crianças, particularmente quando utilizada com múltiplos canais em casos de suspeita moderada a grave. Embora ofereça vantagens logísticas e redução de custos, o HSAT ainda não deve substituir a polissonografia como método isolado em casos leves ou em pacientes com alta complexidade médica, devido ao risco de subestimação do índice de apneia. O método consolida-se como um adjunto valioso no fluxo diagnóstico, permitindo uma triagem mais rápida e acessível para a população pediátrica.
Comentário: É cada vez maior a demanda por estudos do sono em crianças, demanda esta maior que a disponibilidade de serviços especializados em realizar polissonografia em crianças, serviço este que será implantado em nosso serviço ainda neste ano. Este estudo evidencia que é viável e confiável a realização de polissonografia em ambiente doméstico na maioria das crianças causando um maior conforto para a família. No entanto, pacientes com patologias complexas (minoria) os estudos do sono ainda devem ser realizados em laboratórios do sono. WRF

