Atualização da Diretriz de 2026 sobre o Manejo da Pneumonia Adquirida na Comunidade em Lactentes e Crianças com mais de 3 meses de Idade.

Autores: Shawn D. St. Peter, Krow Ampofo, Thomas Brogan, Michael D. Cabana, Claudia Espinosa, Todd A. Florin, Jeffrey S. Gerber, Michelle Gill, Debra L. Palazzi, Mark Sawyer, Angela M. Statile, Derek J. Williams, Sheena Patel, Mark I. Neuman e Samir S. Shah.

FONTE: Clinical Infectious Diseases, Oxford University Press, 2026.

OBJETIVO: Apresentar recomendações atualizadas para a caracterização e o manejo da pneumonia acompanhada de derrame parapneumônico em lactentes e crianças acima de 3 meses de idade.

MÉTODOS: O documento baseia-se em revisões sistemáticas da literatura conduzidas por um painel multidisciplinar de especialistas. A metodologia adotada para classificar a certeza das evidências e a força das recomendações foi o sistema GRADE (Grading of Recommendations Assessment, Development, and Evaluation). Foram avaliadas questões sobre modalidades de imagem, critérios para drenagem pleural, escolha entre intervenção clínica (fibrinólise) versus cirúrgica, calibre de tubos de drenagem e protocolos de medicamentos fibrinolíticos.

RESULTADOS: Para a avaliação de derrames moderados a grandes, sugere-se a realização de ultrassonografia de tórax em preferência à tomografia computadorizada (TC) ou ressonância magnética (RM). Em crianças com derrames pequenos e não complicados, a recomendação é de observação em vez de drenagem. Quando a drenagem pleural é indicada, o painel sugere o uso de drenos de pequeno calibre (<12Fr) e a terapia com fibrinolíticos intrapleurais (tPA isolado) como primeira linha, em vez de desbridamento cirúrgico por vídeo (VATS), por ser uma abordagem menos invasiva e com desfechos semelhantes. O uso de tPA associado à DNase não se mostrou superior ao tPA isolado na população pediátrica.

CONCLUSÃO: As evidências que sustentam as recomendações atuais ainda são, em sua maioria, de baixa ou muito baixa certeza, baseadas em estudos observacionais ou retrospectivos. Embora a fibrinólise intrapleural via dreno de tórax seja a sugestão preferencial para o manejo inicial do empiema, a escolha da abordagem deve considerar a disponibilidade de recursos locais e o julgamento clínico individualizado. Há uma necessidade crítica de ensaios clínicos randomizados de alta qualidade para definir as estratégias ideais de tratamento e reduzir as taxas de morbidade associadas à pneumonia complicada na pediatria.

COMENTÁRIO: Este guideline da Sociedade Europeia de Infectologia recomenda o que já fazemos em nosso serviço há algum tempo e está de acordo com as recomendações da British Thoracic Society. Resumindo: é seguro fazer menos! Não a necessidade de fazer tomografia nem para o diagnóstico e muito menos para o acompanhamento do derrame pleural. O ultrassom é até mais sensível, poupando a criança de ser exposta a radiação desnecessária (1 TC de tórax equivale a 150 Rx de tórax de radiação). O uso de fibrinolítico é mais barato e menos agressivo que que o VAT, o tempo de dreno deve ser o menor possível, bem como a duração da antibioticoterapia. Em nosso serviço, a média de internação de crianças com derrame pleural é menor que 10 dias. WRF

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