
Aproximadamente 1 em cada 10 crianças apresenta alergias alimentares, que podem ter um impacto significativo na vida cotidiana.
Algumas alergias alimentares podem provocar sintomas graves, como urticária, inchaço, dificuldade para respirar, vômitos e queda da pressão arterial. Essas manifestações podem dificultar a alimentação fora de casa e trazer preocupações para toda a família. Crianças com alergias alimentares também podem sofrer bullying, e a necessidade de evitar determinados alimentos pode afetar seu crescimento.
Diante disso, muitos pais se perguntam o que podem fazer para diminuir o risco de seus filhos desenvolverem alergias alimentares.
Embora nem todos os fatores de risco possam ser controlados, como a predisposição genética, existem estratégias comprovadas que podem fazer a diferença. Entre elas estão o momento adequado de introduzir determinados alimentos, os cuidados com a pele e o uso de antibióticos apenas quando necessário.
A importância da introdução alimentar no momento adequado
Um dos principais fatores de risco para o desenvolvimento de alergias alimentares é adiar excessivamente a introdução de determinados alimentos na alimentação dos bebês, incluindo aqueles que contêm amendoim, ovo e peixe.
Em vez de postergar o contato com esses alimentos, a recomendação é introduzir o amendoim, o ovo e outros alimentos que frequentemente provocam alergias por volta dos 6 meses de idade.
Estudos demonstraram que a introdução alimentar precoce pode reduzir em aproximadamente 40% o risco de alergia ao amendoim e em 30% o risco de alergias alimentares em geral.
Dermatite atópica e sua relação com as alergias alimentares
Outro importante fator de risco é o eczema, também conhecido como dermatite atópica.
Essa condição pode provocar ressecamento, coceira e lesões na pele, comprometendo sua função de barreira protetora. Com isso, substâncias capazes de desencadear reações alérgicas, chamadas alérgenos, podem penetrar na pele, algo que normalmente seria impedido por uma barreira cutânea íntegra.
Quando essa barreira está enfraquecida, o sistema imunológico pode interpretar essas substâncias como ameaças, favorecendo o desenvolvimento de alergias.
A introdução alimentar precoce pode ajudar a reduzir esse risco, pois permite que o sistema imunológico entre em contato com os alimentos por meio do intestino, onde o organismo desenvolve mecanismos de reconhecimento e tolerância.
No caso de bebês com eczema, os pais devem conversar com o pediatra para definir o tratamento mais adequado. Crianças com eczema que não apresentam outros problemas de saúde geralmente não precisam realizar testes alérgicos.
O uso de antibióticos e o microbioma intestinal
A exposição a antibióticos nos primeiros anos de vida também representa um possível fator de risco.
Durante o desenvolvimento do sistema imunológico dos bebês, ocorre uma interação constante com as bactérias que vivem naturalmente no intestino, conhecidas coletivamente como microbioma intestinal.
A introdução precoce e variada de alimentos pode favorecer essas interações. Por outro lado, determinadas exposições, como o uso desnecessário de antibióticos, podem interferir nesse processo e prejudicar o equilíbrio do microbioma.
Por isso, é importante evitar o uso de antibióticos quando não são necessários, como nos casos de infecções virais.
Como introduzir os alimentos de forma segura?
A estratégia mais prática para os pais é iniciar e manter uma alimentação sólida variada em bebês saudáveis por volta dos 6 meses de idade.
Antes de começar a receber alimentos sólidos, o bebê deve apresentar bom controle da cabeça e do pescoço. Além disso, os alimentos precisam ser oferecidos em consistências e formatos seguros, que não representem risco de engasgo.
Além de frutas, legumes e cereais em forma de purê, os pais devem introduzir alimentos como:
- Amendoim e outras oleaginosas, como castanhas e nozes;
- Ovo;
- Leite e derivados;
- Soja;
- Trigo;
- Peixes;
- Frutos do mar, incluindo crustáceos e moluscos;
- Gergelim.
É importante destacar que amendoins, castanhas e nozes não devem ser oferecidos inteiros aos bebês, devido ao risco de engasgo.
Esses alimentos podem ser apresentados em preparações adequadas à idade, como produtos macios que se dissolvem facilmente ou pastas de oleaginosas diluídas em água, leite materno ou fórmula infantil.
Quando bem tolerados, esses alimentos devem continuar fazendo parte da alimentação da criança várias vezes por semana.
O acompanhamento pediátrico é fundamental
Cada família deve conversar com o pediatra da criança para definir o melhor plano alimentar e as estratégias mais adequadas para reduzir o risco de alergias alimentares.
Embora fatores como a genética não possam ser modificados, existem medidas que podem contribuir para a prevenção.
Como os estudos demonstram que a introdução alimentar precoce pode reduzir o risco de alergias alimentares, os pais devem se sentir encorajados a colocar essas recomendações em prática, sempre com a orientação do pediatra.
Resumo: como reduzir o risco de alergias alimentares em crianças
Aproximadamente 1 em cada 10 crianças apresenta alergias alimentares.
Os alimentos que mais frequentemente provocam alergias incluem amendoim, ovo, leite, soja, trigo, castanhas e nozes, peixes, frutos do mar e gergelim.
Reações alérgicas graves podem provocar urticária, inchaço, dificuldade para respirar, vômitos e queda da pressão arterial.
1. Introduza alimentos potencialmente alergênicos por volta dos 6 meses.
Adiar excessivamente a introdução desses alimentos pela via oral pode favorecer o desenvolvimento de alergias. Os alimentos devem ser oferecidos em formatos seguros, que não provoquem engasgos.
2. Cuide da saúde da pele do bebê.
A dermatite atópica pode causar ressecamento, coceira e lesões na pele, permitindo a entrada de alérgenos e estimulando respostas imunológicas relacionadas ao desenvolvimento de alergias alimentares, mesmo sem a ingestão desses alimentos.
3. Evite o uso desnecessário de antibióticos.
A exposição precoce a antibióticos pode interferir nas interações entre o sistema imunológico em desenvolvimento e as bactérias que vivem naturalmente no intestino.
4. Converse com o pediatra.
Embora alguns fatores de risco, como a genética, não possam ser controlados, o pediatra pode orientar a família sobre a melhor estratégia de alimentação e prevenção das alergias alimentares.
Referências e fonte científica
Artigo original: What Parents Should Know About Reducing Food Allergy Risk
Autores: Stanislaw J. Gabryszewski, MD, PhD; Alexander G. Fiks, MD, MSCE; Lindsay A. Thompson, MD, MS.
Publicação: JAMA Pediatrics, 26 de outubro de 2026.
DOI: https://doi.org/10.1001/jamapediatrics.2026.3943
Estudos citados:
Islam N, Chu AWL, Sheriff F, et al. Risk factors for the development of food allergy in infants and children. JAMA Pediatrics. 2026;180(5):486-499. https://doi.org/10.1001/jamapediatrics.2025.6105
Gabryszewski SJ, Dudley J, Faerber JA, et al. Guidelines for early food introduction and patterns of food allergy. Pediatrics. 2025;156(5). https://doi.org/10.1542/peds.2024-070516
Materiais complementares:
Academia Americana de Pediatria (AAP): https://www.aap.org/en/news-room/campaigns-and-toolkits/food-allergies
Food Allergy Research & Education: https://foodallergyprevention.org/for-parents/
O conteúdo apresentado tem caráter informativo e não substitui a avaliação médica individualizada. Para orientações específicas sobre a saúde e a alimentação da criança, consulte o pediatra.

