Fonte: Pediatrics. DOI: 10.1542/peds.2025-075748.
Um novo posicionamento da Academia Americana de Pediatria (AAP) publicado na revista Pediatrics destaca os impactos devastadores dos conflitos armados sobre crianças e adolescentes em todo o mundo. Estima-se que mais de 520 milhões de menores de 18 anos — cerca de 1 em cada 5 globalmente — vivam atualmente em zonas de conflito
Segundo o documento, os efeitos vão muito além das mortes e ferimentos diretos. Crianças expostas à guerra enfrentam deslocamento forçado, separação familiar, insegurança alimentar, violência sexual e interrupção de serviços essenciais, como educação e assistência à saúde
Conflitos prolongados também provocam colapso de sistemas de proteção social, agravando vulnerabilidades já existentes.
O texto ressalta que crianças são desproporcionalmente afetadas em comparação aos adultos, devido a características próprias do desenvolvimento físico, emocional e neurológico, além da dependência de cuidadores para proteção e sustento
Os impactos incluem aumento de doenças crônicas, transtornos mentais, traumas físicos e sofrimento psicossocial de longo prazo.
O posicionamento enfatiza o papel fundamental de pediatras e profissionais de saúde na oferta de cuidado sensível ao trauma, culturalmente apropriado e baseado em evidências
Entre as estratégias recomendadas estão a ampliação do acesso a serviços de saúde e saúde mental, proteção do direito à educação e oferta de suporte psicossocial e apoio ao luto, especialmente durante e após processos de reassentamento.
Os autores defendem ainda maior engajamento em políticas públicas e pesquisa, visando mitigar danos imediatos e promover resiliência, garantindo que toda criança, independentemente do contexto de conflito, tenha oportunidade de desenvolvimento saudável

