Preocupação dos pais ajuda a “não deixar passar” casos graves em crianças, mas pode gerar alarmes falsos

13 de abril de 2026

A intuição dos pais — aquela sensação de que “tem algo diferente com meu filho” — pode ser um sinal importante para identificar crianças com doenças graves antes mesmo da avaliação médica. É o que sugere um estudo publicado no JAMA Network Open.

A pesquisa analisou 2.375 crianças e adolescentes atendidos em um pronto-socorro pediátrico no norte da Finlândia. Logo na chegada ao hospital, antes de serem examinados pelo médico, pais ou responsáveis responderam a um questionário sobre sintomas e o estado geral da criança. Depois, os pesquisadores compararam essas respostas com o desfecho clínico, classificando como “doença grave” situações que exigiram observação prolongada, tratamentos específicos e internação por mais de 24 horas.

Cerca de 24% das crianças se encaixaram nessa definição de gravidade. A “preocupação moderada a alta” dos pais foi o indicador que mais acertou em “captar” os casos graves mas também gerou muitos alertas em situações que não eram graves Em outras palavras: quando os pais estavam muito preocupados, a chance da criança estar com alguma coisa grave aumentava, mas isso não significava, por si só, que a criança realmente teria um quadro grave.

Para os autores, a mensagem é prática: ouvir a preocupação dos pais pode ser um bom “primeiro filtro”, mas ela precisa ser sempre complementada por avaliação clínica e medidas objetivas para evitar excesso de encaminhamentos e intervenções desnecessárias.


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